tempo...

...passa-nos pela frente, aquela brisa verde...aquele cheiro que a terra emanava do interior e do rio...
passa-nos pela frente o intermédio de um começo...

e passou-se esse começo...esse cheiro que emanava, e o rio...

passou-se o sol que cobria as nossas cabeças...passou-se o faustoso e pomposo balançar dos nossos braços...

pela nossa frente passa-nos um intermitente compasso...



amo-te


André Teixeira

Para ti...meu amor

dedicado a Maria


Contenho-me das palavras que tentam sair pela minha boca
contenho-me dos sentimentos que forçam o seu brotar pelas minhas lágrimas
calo-me para que o meu amor não saia de mim e não contagie o mundo

Hoje tornei-me egoísta por te amar...
não quero deixar nada de mim sair, para o sentir quieto no meu canto...

Quieta a paixão que caminha pelos momentos assombreados de um sitio solarengo, ou um espreitar de um sol a meio da tarde. Aquela janela de frente da cama em que nos deitámos e adormecemos, pelo meio dos nossos carinhos...pela tua mão e a tua respiração...lembro de estarmos rodeados pela Arte e pelo teu sorriso feliz, nunca te vi tão feliz...

Quieta a paixão que percorria o teu corpo húmido pelas águas de uma veia da terra, veia que consideravas tua e do teu corpo, palpitando a magia que havia nesse teu coração tão puro que eu me hipnotizei de um rompante...


Quieta a paixão de caminharmos por entre montes e serras cobertas do branco e da musica das árvores e das águas, quebrando isso com os nossos sorrisos e conversas infinitas...


E à noite, olho para um sitio que é nosso ainda, que me faz molhar o rosto, aquela chuva meio brilhante que não cai de nuvens cinzentas...

à noite a quieta paixão acompanha-me quando não estás a meu lado, acalmando o meu esperar...lembrando-me de ti pelas minhas emoções...



Quando vejo que ela se torna tensa e tortuosa, calo-me...
Calo-me para ouvir aquele dia sentado na pedra onde em tempos, alguém se casou e pensei estar frio quando estava quente, ou quando mesmo eu fico quieto a teu lado a meio da noite, em qualquer noite em qualquer cama, em que tu estejas...



Maria...



André de Campos

4 quatro 4

dedicado a Maria


caminhando eu pelas pedras que envolvem a pele da tua cidade, e dos teus rios, miradouros constantes da minha presença silenciosa, fui descobrindo a tua pessoa pintada pelas minhas "fasincaçoes" e imagens, dois pirilampo que saltavam entre um caminho longínquo, qual goteira de uma fonte que permite brotar agua para a terra...
caminhando para ti, por essas pedras, vi os teus olhos entre uma janela e outra de sorrisos, complacente a essa imagem fértil de sentimentos carinhosos, fui-te abraçando com lentidão, porque queria sentir o vasto do teu quente...

de mãos dada contigo e com o encanto de te namorar em cada segundo, vivemos gritos, e lágrimas, tanto quanto sorrisos e gestos meigos tão nossos... preenchendo assim um álbum rústico de velhos fotogramas que consideramos muito importantes na nossa vida prematura em conjunto...pois pensamos que o nosso corpo é eterno e loucos tentamos imortaliza-lo um para o outro...

somos loucos que se amarram em árvores grandes que fazem cocegas no céu, espirrando para nos esbeltos esgares de ternura, quando olhamos para ele, naqueles dias em que nuvens cobrem as cores do azul profundo...em tons da terra que nos criou, e da terra que nos irá criar...


sonho contigo, simplesmente...e no outro dia conto-te o meu sonho com entusiasmo e tu deixas-me falar..de nos de ti, do mundo... impaciente por me beijares...


que te apetece hoje senão estar neste sitio que construimos um para o outro...


beija-me Maria...



André de Campos

A minha janela


dedicado a Maria


Encontrei um sulco pequeno, por onde te olhava sem tu me veres, e nesse silencio que emanava do sulco, amava-te à distancia, vendo-te e sentido o que me eras... o sol punha-se no fundo de umas cortinas de montanhas enquanto eu te seguia sem reparares em mim...sorrateiros foram os meu gestos, pois queria sentir o que vinha de dentro de mim, perante a tua pessoa...

começando a crescer algo que seria mais tarde uma vida a teu lado...

fui pintando, fui semeando, num solo que estava à tua espera...


....Maria...


vi na janela o teu contorno, que me confortou o espírito, vejo em todo o lado a tua pintura que me conforta a alma...vejo-te...

Maria, vejo-te...




André de Campos

Numa tarde, Sempre de Mil...

Dedicado a Maria


andámos num encontro, caminhando pelos pés,com os corpos juntos...
entrelaçando os nós dos dedos,esses... nossos segredos...
...nossos sorrisos...

Passaste. em rastejedo, a mão pela minha cara, como uma estrada, caminhando pela pele, o meu gesto... quando o sol ia no alto das árvores, e nos fazia ser e esconder, entre os seus galhos... frescas brisas aninhavam o nosso corpo, querendo um do outro, o mesmo...
Num lento deitar, fomos sentindo a terra, o sabor das nossas bocas,(nas nossas bocas)...saboreando cada toque...
De lento e compassado, seria o nosso...
Olhar que cruza...mão que aperta...
A tua respiraçao...

"Os cheiros emanavam de todos os sentidos poentes e nascentes, cruzavam, velozes, pelos espaços que íamos deixando, enquanto nos amávamos..."


A luz que ilumina o teu sorriso, é,de longe a perfeita maneira de dizer...


André de Campos

E voar para lá de um mundo em decadência...

Dedicado à Maria


Minh' alma grita, saudosa de um refugio longe, do qual não posso habitar.
Constante é um rosnar por aberrações que a vida teve o prazer mesquinho em formar...
consumando o acto de perverter a pureza de um dia ter sido feliz por simplesmente seguir, como criança, a passos pequenos e desajeitados um sonho, como uma folha de outono, que cai lenta, no chão...de um tombo por pedras mal construídas e deterioradas pelo tempo, esses seres querem comer a minha pele, e o meu coração...

Em noites que me abraço a mim mesmo,pois não estas cá imagino um local longínquo que vagueia na minha memoria em que tudo é belo, e sereno...em que tu deambulas por entres sombras de copas de árvores, e sorris para mim, enfatizando o afecto que tens, e o amor que sinto...num tempo onde não espaço...num lugar onde não passa o tempo...num sitio onde nos habitamos...que me sossega os "desaforosos" gritos urgentes que a minha alma sente...e tento chegar ao teu quente, por entre um vento que me leva a ti...

Quando acordo e vejo que o mundo é feito de varas de bamboo, podres que sustentam um peso exagerado...fico com um misto de medo e tristeza que range entre os meus dentes, desejoso de sair...e sinto o meu pescoço a descair o meu olhar, e a encurvar os meus ombros, pois fraco estou de tanto ser espezinhado por galardoes de duas patas, animais dramáticos que se mascaram com cinismos e fazem mutações de palavras tão belas...


quando me passas a mão pelo rosto e me lanças um sorriso discreto, pelos olhos, pela boca, pela alma...eu sinto-me em paz...e desejo, secretamente, fugir para lá de um mundo em decadência constante...

...e protejo-te abraçando o teu corpo e o teu amor...


André de Campos

passámos por lá

E voava o corcel que era de meu ver alem do mar a mais bela forma de vida que os meus olhos romperam em rasgo de alegria amassando o pão que de massa era amor, o amor que sentia...

E dobrava a escandaleira retalhada que fazia de um sorriso um épico momento, uma epopeia nos sentimentos que respingavam dentro do meu ser e ser era o que sentia pois na verdade passei por tal e transcendi, transformou o que de ti veio, e eu pomposo vagueei por entre as montanhas e vales, dos céus eram teus sonhos do teu meus o teus promontórios...

Arrecadamos, e arremessámos as paixões pelas costas e encostas, pois encontraste em mim teu ombro e eu recostei o meu corpo no teu embalo...tu és e eu por aqui estou a espera de te ver e rir, que me conquista quando de aquando o fazes sentir pelas planícies e pelos sois que se encaixam na luz perfeita e nos vemos em tons de terra, ocre, amores, odes e odores...

Opões a poesia para teu bel' prazer pois eu sei que de mim extraio entalhes de perfeitos silêncios na tua presença, tão bela que és na minha vida...

André de Campos